sexta-feira, 30 de março de 2012

Vincent van Gogh, 159 anos de nascimento


Van Gogh: Noite estrelada
Vincent Willem van Gogh nasceu em 30 de março de 1853, há 159 anos, portanto. Nasceu em Groot-Zundert, Holanda. Ele é um dos pintores mais conhecidos do mundo e tem um Museu exclusivo para sua obra, em Amsterdam, capital da Holanda, que visitei em 2008.

Vincent van Gogh
Van Gogh pertencia a uma família da burguesia da cidade. Inicialmente, ele tentou fazer carreira como comerciante de arte. Mas logo desiste, porque se recusava a ver a arte como mercadoria. Tenta ser pastor, mas não passa nos exames de teologia.

Depois de 1880, resolveu voltar-se para a pintura e vai para a Bélgica primeiro, mas em seguida muda-se para a França. Até aquele momento, ele era autodidata, mas passa a frequentar aulas de pintura, além de enriquecer seu conhecimento sobre arte: analisa a obra dos pintores da época em visita a museus e galerias de arte, troca ideias com seus amigos artistas, estuda gravuras japonesas e inglesas.

Mas sua vida pessoal é cheia de crises, que revelam sua instabilidade mental. Numa dessas crises, com apenas 37 anos de idade, Van Gogh se suicida.

Ele deixou uma volumosa correspondência com mais de 800 cartas escritas à sua família e amigos, mas principalmente a Theo, seu irmão, seu permanente ponto de apoio, tanto na vida pessoal quanto na profissional.

A obra de Vincent Van Gogh é composta por mais de duas mil pinturas e desenhos que datam, principalmente, entre os anos de 1880 e 1890. Ele conviveu com muitos artistas, especialmente Anthon van Rappard, Emile Bernard e Paul Gauguin. Mas também admirava a obra de Jean-François Millet, de Rembrandt, de Frans Hals, de Eugene Delacroix, de Claude Monet, de Paul Cézanne, de Edgar Degas, de Paul Signac... Aquele era um período muitíssimo rico para a pintura, fértil de tantos nomes grandes da história da arte.


Em Paris, nos anos de 1886 a 1887, Van Gogh ia muito à Academia do pintor Cormon, onde conheceu Henri de Toulouse-Lautrec. Através de seu irmão, grande parte dos pintores impressionistas, especialmente Georges Seurat, Camille Pissarro e Paul Gauguin.

Em 20 de Fevereiro de 1888, mudou-se para Arles, interior da França. Nessa cidade, ele faz diversos estudos inspirado na luminosidade da Provence. Ele pintou paisagens, cenas do campo e retratos. Enviava seus quadros ao irmão Theo em Paris, que já havia inscrevido três dos primeiros quadros de Van Gogh na 4ª Exposição Anual da Sociedade dos Artistas Independentes.

Vincent e Gauguin viveram juntos, tentando criar uma espécie de comunidade de artistas, trocando experiências e pesquisas, o que era um dos sonhos de Van Gogh. Mas seu temperamento era muito difícil e a convivência entre ele e Gauguin começou  a ficar muito tensa. Em 23 de dezembro de 1888, depois de uma discussão violenta com o amigo, a quem ele teria atacado com uma navalha, Van Gogh corta a própria orelha esquerda. Gauguin foi embora.

As crises de Van Gogh eram frequentes e ele teria sido acusado de perturbar a ordem pública em Arles. Pediam a sua saída da cidade. Em 27 de fevereiro, o comissário de polícia conclui em seu relatório que Van Gogh poderia tornar-se perigoso para a segurança pública. Com novas crises nervosas, ele foi internado por ordem do prefeito no hospital em Arles.

Café de Paris
Em 8 de maio de 1889, ele deixou Arles, e se internou no hospício em Saint-Paul-de-Mausole, perto de Saint Remy de Provence. Ele ficou um ano internado.

Mesmo em meio a essas crises nervosas, e com a saúde frágil, Van Gogh foi muito produtivo. Somente não pintava quando estava tomado por seus acessos de loucura. Transformou seu asilo, uma sala no piso térreo do prédio do hospital, em seu atelier. E continuava a enviar suas pinturas para Theo. As pinturas deste período são em sua maioria redemoinhos e espirais, além de pintar também o que via de sua janela, por exemplo, a série das grandes pinturas de campos de trigo.

Sai do hospital, e vai visitar Theo em Paris, mas depois mudou-se para Auvers-sur-Oise, cidade a trinta quilômetros a noroeste de Paris. Era uma comunidade rural já conhecida por pintores paisagistas, especialmente os da Escola de Barbizon, e dos impressionistas.
Lá ele passou os últimos dias de sua vida, de 20 de maio de 29 de julho de 1890. O Dr. Gachet (que Van Gogh pintou) tinha se comprometido a tomar conta dele a pedido de Theo. Gachet era amigo de alguns pintores, sendo ele próprio um pintor amador.


Mas sua instabilidade mental retornou, e ele entrou em nova crise nervosa no final de julho de 1890. Em 27 de julho de 1890, em um campo onde pintou sua última tela, ele disparou uma arma contra o próprio peito, morrendo dois dias depois, com a idade de 37 anos. Seu irmão Theo morreu pouco tempo depois, em 25 de janeiro de 1891, com a idade de 34 anos.

Van Gogh deixou uma obra imensa e foi um dos artistas que mais influenciaram a pintura do modernismo do século XX.

Em dezembro de 2008 eu fui ao Museu Van Gogh, em Amsterdam. Para mim foi uma experiência muito marcante! Desde meus 14 anos de idade, eu tinha na parede do meu quarto uma cópia da pintura do quarto do artista e vê-la pessoalmente, ali à minha frente, foi uma das experiências mais emocionantes que vivi num museu! Também pude ver lá a evolução de sua carreira como artista, desde os primeiros tempos na Holanda e Bélgica, até chegar a Paris e a Arles.

Existem diversas pinturas dele que me fascinam, e algumas delas estão aqui neste post. Ele é um dos pintores mais conhecidos do mundo e com certeza muitas de suas obras fazem parte da história de vida de muitos de nós.

Os comedores de batata

sexta-feira, 23 de março de 2012

De Chirico, o sentimento da arquitetura


Foi inaugurada ontem, 22 de março, no Museu de Arte de São Paulo – MASP – uma exposição com 122 obras do artista italiano Giorgio de Chirico, cedidas pela Fondazione Giorgio e Isa de Chirico. Essa exposição, como outras que estão ocorrendo no Brasil neste ano, faz parte do evento Ano da Itália no Brasil. A curadoria é de Maddalena d’Alfonso (crítica de arte e arquiteta italiana), que escolheu obras, em sua maioria, da última fase do artista, intitulada de neometafísica.


De Chirico viveu em várias cidades da Europa, assim como em Nova Iorque, EUA. O imaginário urbano e os efeitos da cidade moderna sobre o homem, são uma temática constante em suas pinturas. “A ‘vida silente’ que emana das obras nos dá a sensação não só do sonho, mas também da desolação, da incongruência, do aspecto enigmático do lugar representado”, afirma Maddalena D´Alfonso, a curadora desta exposição.


Para Teixeira Coelho, curador do MASP, “se Turner, Monet e Van Gogh foram nomes da expressão mais alta do século XIX que entrava numa era que parecia do encanto, De Chirico, Delvaux e Hopper são os profetas de uma nova idade, a do espanto. E não há nada de metafísico nisto; apenas a física mais dura, a realidade mais concreta. Terrível – ainda assim, cativante”. É o que ele diz no texto de apresentação da mostra, no site do MASP.


A exposição dá ênfase para a arquitetura, um dos motivos centrais da obra do artista, que dizia: “o sentimento da arquitetura é, provavelmente, um dos primeiros que os homens experimentaram. As moradias primitivas encravadas nas montanhas, reunidas no meio de pântanos, indubitavelmente originaram nos nossos antigos avós um sentimento confuso feito de mil outros e que desencadeou, no decorrer dos séculos, aquilo que nós chamamos sentimento da arquitetura”.


Biografia


Giorgio de Chirico nasceu em Volos, na Grécia, no dia 10 de julho de 1888, mas seus pais eram italianos. Seu pai, Evaristo, que era engenheiro ferroviário, morreu em 1905, causando uma dor profunda no menino, que ele expressou em sua criação plástica ao longo da vida. Com a morte do pai, Giorgio, sua mãe e seu irmão Andrea (músico, pintor e ensaísta, que adotou o nome artístico de Alberto Savinio) passaram uma curta temporada entre Veneza e Milão, mas logo mudaram-se para Munique, na Alemanha. Lá, na Academia de Belas Artes daquela cidade, ele continuou os estudos de arte que havia iniciado na Escola Politécnica de Atenas. 


Esses anos em que morou na Alemanha produziram uma grande transformação intelectual e espiritual no jovem Giorgio: conheceu a pintura simbolista de Max Klinger e Arnold Böcklin, ao mesmo tempo em que mergulhou na leitura dos livros dos filósofos Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche.


As pinturas de Klinger e Böcklin, que mostravam uma ambigüidade entre a realidade e o estado do sonho, assim como uma temática voltada para a existência solitária do indivíduo, que eram próximas das investigações de Sigmund Freud sobre o mundo onírico, atraíram a atenção de De Chirico.


No verão de 1909 voltou para a Itália, passando seis meses na cidade de Milão. No começo de 1910, foi para Florença, onde pintou o quadro "O enigma de uma tarde de outono", a primeira de suas obras da série "praça metafísica". Ele conta, sobre isso, que teve uma experiência decisiva, quase inexplicável, na Praça de Santa Cruz, em Florença. Ele explica, num texto de 1912, que naquele dia estava convalescendo de uma infecção intestinal, que lhe deixava num estado meio mórbido. Foi então que ele, olhando para a praça, viu, naquela “límpida tarde de outono” como se fosse a primeira vez, a praça e tudo o que nela havia, em especial a fachada da igreja de Santa Cruz e um monumento a Dante Alighieri. Fruto dessa experiência, pintou seu primeiro quadro metafísico.


O enigma de uma tarde de outono
No ano seguinte, De Chirico passou alguns dias em Turim, ainda na Itália, à caminho de Paris, e ficou impressionado com o que chamou de “aspecto metafísico de Turim", ao observar a arquitetura de suas arcadas e praças. 


Em sua Autobiografia, de 1945, escreveu que “O que Nietzsche de fato descobriu de novo é uma poesia estranha e funda, infinitamente misteriosa e solitária, que surge da atmosfera de uma tarde de outono, quando o tempo está claro e as sombras são maiores do que no verão. Pode-se viver esta experiência extraordinária nas cidades italianas e em algumas outras do Mediterrâneo, como Niza; mas a cidade italiana por excelência, para essa experiência, é Turim”.


Suas pinturas produzidas entre 1909 e 1914 são as mais conhecidas. Esse período é conhecido como "período metafísico" e as figuras de seus quadros evocam ambientes sombrios. Já nessa época, seus modelos eram paisagens urbanas inspiradas nas cidades mediterrâneas. Com o tempo, sua atenção foi se voltando para estudos de compartimentos cheios de objetos, muitos dos quais eram manequins.


Música de amor
Em 1911 vai para Paris.  Lá, ele realiza uma série de quadros, exatamente a série das praças italianas. Giorgio viveu em Paris até seu alistamento militar na Primeira Guerra Mundial, em março de 1915.


Muitos artistas das primeiras décadas do século XX reconhecem a influência, em suas obras, da pintura de De Chirico, como Max Ernst, René Magritte e Salvador Dali. Sua pintura metafísica é considerada um dos maiores antecedentes do movimento surrealista. Um dos exemplos seguidos depois pelos surrealistas era a representação de outras obras dentro da própria obra, que caracterizou bastante o surrealismo, e que já estava presente em De Chirico.


Essas obras baseadas na representação de espaços urbanos, onde predominam os elementos arquitetônicos e a projeção de sombras, quase não possuem presença humana. Dá a impressão de que o artista criava um espaço estranho, atemporal, calmo e silencioso. Inabitado.


A partir de 1914, De Chirico pinta os manequins sem rosto, sem olhos, compostos e pontilhados por estruturas de madeira, algumas vezes recortadas em formas geométricas. Mas o período propriamente “metafísico” de sua obra, termina em 1919. Esses manequins que povoam as pinturas dessa fase de De Chirico são as mais enigmáticas e mais emblemáticas do período "metafísico", embora eles estejam presentes em seu trabalho até o fim de sua vida.


Giorgio de Chirico morreu em 20 de novembro de 1978, em Roma, Itália.


Serviço:
DE CHIRICO: O SENTIMENTO DA ARQUITETURA 
De 22 de março até 20 de maio de 2012
MASP
Avenida Paulista, 1578
São Paulo - SP

terça-feira, 20 de março de 2012

Alberto Giacometti e suas figuras esmagadas



O cão
O homem que caminha
A Fundação Alberto e Annette Giacometti traz pela primeira vez ao Brasil, a primeira grande retrospectiva dedicada à obra do artista suiço Alberto Giacometti (1901-1966). A Pinacoteca do Estado de São Paulo inaugura a temporada sul-americana da mostra neste final de semana, dia 24 de março. Para a exposição foram selecionados cerca de 280 trabalhos, sendo 80 esculturas de tamanhos variados, 40 pinturas, 80 trabalhos sobre papel, 56 fotografias e documentos. Ao todo, são mais de 220 obras da coleção da Fundação Alberto e Annette Giacometti e Annette.
A exposição permitirá aos visitantes observar o desenvolvimento da carreira de um dos artistas mais marcantes do século XX, desde seu período de formação, na oficina de seu pai na Suíça, até suas últimas obras. Mostrando todos os aspectos da produção de Giacometti (esculturas, pinturas, desenhos, gravuras e escritos), a exposição aborda os principais temas do pensamento criativo do artista: a influência de Cézanne, a descoberta da arte Africana em 1926, a marca duradoura do pensamento mágico e do surrealismo, a invenção de uma nova representação do ser humano. A busca intelectual da Giacometti se aproximou dos maiores pensadores de sua época: André Breton, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Jean Genet, que são mencionados na exposição através de retratos e textos.
A Fundação também destaca que diversos colecionadores e amantes da arte na América do Sul, interessados e atraídos pela efervescência cultural de Paris nos anos 1930, adquiriram obras do artista, como a argentina Elvira de Alvear. Uma cópia desse trabalho se encontra na exposição, acompanhada por outras que foram adquiridas pelo MAM do Rio e pela Bienal de São Paulo em 1951. O evento teve estreita colaboração entre a Fundação Giacometti, os museus do Brasil e Argentina onde a exposição passará, além do patrocínio da Embaixada da França no Brasil e do apoio do Ministério da Cultura e de patrocinadores privados.
A seleção das obras que serão apresentadas, foi feita por Véronique Wiesinger, curadora da exposição e diretora da Fundação Alberto e Annette Giacometti. Ela se preocupou em apresentar as variações do percurso artístico de Giacometti ao longo de meio século, destacando a influência da escultura africana e da Oceania. Giacometti se deixou influenciar bastante pela arte primitiva, criando um estilo muito característico dele. Também sofreu influências do Surrealismo e sua obra “Bola suspensa”, feita entre 1930-31, é considerada por André Breton o melhor exemplo de uma escultura surrealista.
A mostra traz desde os retratos do artista executados por seu pai e por seu padrinho, ambos pintores, até as esculturas monumentais. O tema da cabeça humana é recorrente na obra de Giacometti, que realizou centenas de estudos sobre a cabeça e sobre os olhos do ser humano. Há salas para as esculturas onde as figuras são engaioladas, assim como bustos, pintados ou esculpidos, com destaque para os retratos de sua esposa Annette e de Rita, a cozinheira de sua mãe. Nos corredores da Pinacoteca estarão esculturas de grandes dimensões. E no vão central, a monumental escultura “Homem caminhando”, que integra o importante conjunto concebido para o projeto do hoje Chase Manhattan Plaza, em Nova Iorque, em 1960.
Essa exposição ficará em São Paulo até o dia 17 de junho. Depois segue para o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, de 17 de julho a 16 de setembro, e encerra a temporada lation-americana na Fundación Proa, em Buenos Aires, de 13 de outubro a 9 de janeiro de 2013.
Biografia


Alberto Giacometti
Alberto Giacometti nasceu na Suíça, em 10 de outubro de 1901. Era o mais velho de quatro filhos do pintor impressionista Giovanni Giacometti, de quem o menino Alberto recebeu todo o incentivo para se tornar artista. Pintou seus primeiros trabalhos usando como modelos as pessoas de sua família ou seus colegas de escola. Depois da educação mais formal, ele foi estudar na École des Beaux Arts de Genebra, antes de ir para Paris em janeiro de 1922.
Logo no início, Giacometti participou de uma oficina com Antoine Bourdelle, na Académie de la Grande Chaumière, em Montparnasse, onde eu estive fazendo aulas de modelo vivo, em outubro de 2011. Alberto Giacometti descobriu o cubismo, a arte africana e a estatuária grega, que foram fundamentais para influenciar seu trabalho no futuro. Em dezembro de 1926, Giacometti foi morar na rua Hippolyte-Maindron número 46, em Paris, de onde nunca mais se mudou, apesar de ser um lugar pequeno e desconfortável. Embora a maior parte de sua produção tenha sido feita em Paris, Giacometti retornou frequentemente à Suíça, onde trabalhava na oficina de seu pai. Em 1927, expôs seus primeiros trabalhos no Salon des Tuileries.
Em sua vida parisiense das primeiras décadas do século XX, Giacometti se aproxima dos surrealistas e expõe com o pintor espanhol Joan Miró em 1930. Convive com intelectuais e artistas como Tristan Tzara, René Crevel, Louis Aragon, André Breton, Salvador Dali e André Masson, juntando-se oficialmente aos surrealistas de Paris em 1931. Ele também ilustrou livros de René Crevel, Tristan Tzara e André Breton.
A partir de 1935, Giacometti prefere voltar a um trabalho mais próximo da realidade, e aos retratos e naturezas-mortas. Quando ele ainda tinha 20 anos, havia feito uma viagem à Itália com seu pai, e a pintura de Tintoretto e Giotto foram uma grande revelação para ele. Foi nesse período, em 1935, que ele fez inúmeros desenhos da cabeça, usando seu irmão como modelo. Em seu atelier apertado da rua Hippolyte-Maindron onde também morava, era difícil pintar seus modelos: sua esposa Annette, seu irmão Diego e seus amigos, entre os quais Jean Genet (que escreveu o livro “O Atelier de Giacometti”).
Nesses estudos, ele se martirizava muito, apagava tudo o que fazia, corrigia, repetia tudo, se angustiava ao ver que os anos em que ficou longe do desenho agora lhe traziam dificuldades.
Durante o período em que durou a segunda guerra mundial, dizem, tudo o que Alberto Giacometti produziu caberia “em poucas caixas de fósforos”. Em dezembro de 1941 ele sai de Paris e vai para Genebra, onde continua a produção das esculturas minúsculas que havia iniciado em Paris. Ele sentia dificuldade em fazer esculturas grandes, e isso o incomodava. Mas só depois do fim da guerra é que ele consegue voltar a uma produção mais intensa e com figuras cada vez maiores. A forma de moldar cabeças e figuras como se tivessem sido esmagadas pelo espaço a seu redor, dá a impressão de que elas quase reduzem-se a esqueletos em movimento.
A partir de 1945, com a prática do desenho, Giacometti consegue criar figuras de tamanho grande, mas com esse aspecto de esqueletos compridos, alongados. São bustos, figuras em pé, imóveis, figuras em movimento. Em setembro de 1945, Giacometti retornou a Paris, e em 1949 se casa com Annette Arm. Somente em junho de 1951 realiza sua primeira exposição após a segunda guerra, em Paris.
Em 1948, Jean-Paul Sartre assinou o prefácio da primeira exposição de Giacometti em Nova York, “A busca do absoluto”. Após a metade da década de 1950, Giacometti volta-se para fazer cabeças, bustos e figuras. Representando a França na Bienal de Veneza em 1956, Giacometti exibiu uma série de figuras femininas. No final de 1958, ele recebeu um pedido para criar esculturas para onde hoje é o Chase Manhattan Bank, em Nova Iorque. Para este monumento, ele cria três elementos: uma grande mulher, um homem andando e uma grande cabeça.
Busto de homem
No final de sua vida, Giacometti foi um artista bastante reconhecido e ganhou diversos prêmios, como o Internacional Carnegie da Bienal de Veneza, em 1962.
Alberto Giacometti morreu em Chur, Suíça, no dia 11 de janeiro de 1966. Seu corpo foi transferido para Borgonovo, onde nasceu, e foi sepultado junto ao túmulo de seus pais. Sua viúva se dedicou a cuidar de sua obra, lançando as primeiras sementes da futura Fundation Alberto e Annette Giacometti Foundation, que abriga um grande número de pinturas e esculturas do artista, e um centro de pesquisa e documentação.

Serviço:
Exposição "Alberto Giacometti: Coleção da Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris"
de 24.mar a 17.jun 2012
Pinacoteca do Estado de São Paulo
Praça da Luz, 2 São Paulo, SP
Tel. (11) 3324-1000

domingo, 18 de março de 2012

Carlos, Thaís, Chico, Arte

Estudo com carvão
Hoje aqui se fez 50 mil acessos! 50 mil! Isso é para se comemorar! 50 mil acessos em menos de dois anos! Se comemorar quando esse mundo vasto mundo é mais belo por causa da pintura, por causa da poesia, por causa da música, por causa da arte. Vasto mundo que não é só violência, só crise, só morte, só tristeza: é também arte, também belo, também exaltação mais pura da alma humana. São 50 mil acessos em quase dois anos de um blog que só fala de arte...

O poeta Carlos Drummond
Mundo mundo vasto mundo...


Semana de comemorações. Fui ver o show-sarau em honra dos 100 anos de nascimento do poeta maior dos brasileiros: Carlos Drummond de Andrade. Com Zé Miguel Wisnik, Arrigo Barnabé, Luis Tati, Arnaldo Antunes, Leda Cartum (que conheci criança e recitou o poema "A moça e o padre" de forma tão bela, tão suave, tão Drummond). E o Emicida que passeava pelo palco questionando um José, um eu, um Maria José, um você, um de nós...

          "Com a chave na mão
          quer abrir a porta,
          não existe porta;
          quer morrer no mar,
          mas o mar secou;
          quer ir para Minas,
          Minas não há mais.
          José, e agora?
(...)
          Sozinho no escuro
          qual bicho-do-mato,
          sem teogonia,
          sem parede nua
          para se encostar,
          sem cavalo preto
          que fuja a galope,
          você marcha, José!
          José, para onde?"

E José Miguel Wisnik na coordenação do que ali se lia de poesia e que entoou "A Máquina do Mundo", um dos poemas mais belos da literatura brasileira. E que me fez voltar para casa, lágrimas nos olhos, pensando em como é bom ver grupos enormes, filas imensas, aglomerações gigantes de pessoas em torno da poesia, da música, da pintura. Da vida, enfim. Que Arte é vida.


Enquanto transitava pelas ruas abarrotadas de carro dessa cidade imensa, levando a poesia de Drumond em meu coração, ia lembrando frase a frase de "A flor e a náusea" porque eu também....


"Preso(a) à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?


Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.


Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase."


Sim, que tristes são. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase. Que triste é o mundo sem a poesia. Que tristes as coisas sem arte... Que tristes são os que perderam o rumo das coisas belas e que perderam as cifras e os códigos sob a pele das palavras e que já não desnudam-desvelam o real de debaixo de seus olhos... 

Thais Gulin
Mas na sexta, fui ver Thaís Gulin, poeta-cantora, completando as indagações perenes da minha alma de artista neste mundo vão, mundo quase cão. Caótico mundo complicado entupido das pasteladas de outras influências culturais que castram a nossa e com Thais Gulin eu repito que "prefiro os nossos sambistas" a esses outros que se sentem tanto tão:


"Tão homem tão bruto tão coca-cola nego tão rock n'roll
Tão bomba atômica tão amedrontado tão burro tão desesperado
Tão jeans tão centro tão cabeceira tão Deus
Tão raiva tão guerra tanto comando e adeus


Tão indústria tão nosso tão falso tão Papai Noel
Tão Oscar tão triste tão chato tão homem Nobel
Tão hotdog tão câncer social tão narciso
Tão quadrado tão fundamental


Tão bom tão lindo tão livre tão Nova York
Tão grana tão macho tão western tão Ibope
Racistas paternalistas acionistas...


Prefiro os nossos sambistas!"


Do coração-poeta-cantor-sambista da música que sai da alma dela que parece cantar na beira do cais num fim de tarde onde o mar e o céu já se fundiram numa só massa de luz:


"Vai pensar, em morar perto das mulatas
Vai pensar
Em concordar com as demoras, vai pensar
No tilintar da Lapa, vai pensar
Na confusão das horas cariocas.


Vai saber, de um cabaré nas docas
Vai saber
Se a noite somos todas pardas, vai saber
Que o que mais quero é não ter sardas, vai saber
Por que mulher, por quem me trocas?


Ah... por quem teu sol se põe?
- Eu não sei, eu não sei, eu não sei
Ah... e quem é que vai levar?
- Seja eu, seja eu, seja eu"


Seja eu...

Chico Buarque
Terminei meu périplo cultural de fim de semana indo ver de perto de novo Chico Buarque de Holanda. Eu e... quantos milhares de pessoas já viram e ouviram ou verão e ouvirão essa enxurrada de poesia em forma de música que sai das profundezas da alma de Chico? Quantas milhares de vozes entoaram, como hoje, junto com ele, num gigante coral de vozes de todas as idades, cantando que


"Sem você
É o fim do show
Tudo está claro, é tudo tão real
As suas músicas você levou
Mas não faz mal.
Sem você
Dei para falar a sós
Se me pergunto onde ela está, com quem
Respondo trêmulo, levanto a voz
Mas tudo bem..."


Tudo bem porque a vida vai em frente mesmo quando à deriva de ventos contrários, e o movimento de tudo nos obriga a caminhar, mesmo quando sirenes em estardalhaço nos tiram do sossego e criam medo em nós. Mas tudo bem quando todo esse reboliço vira arte e a gente esquece das mazelas quando canta, quando pinta, quando escreve, quando lê poesia, quando vê de fato o mundo.


E quando a gente é um com Carlos Drummond, Thais Gulin, Chico Buarque... Poesia, Música, Poesia.



Arte. Sem ela a vida não há. Ela "diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível"... né, Leonardo da Vinci?



As coisas consideradas sem ênfase são tristes... Mas o poeta garante que uma flor nasceu. E hoje também é meu aniversário.



E viva a Arte!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Ocupação Angeli - a vez do cartum


Rê Bordosa
Angeli
O grande cartunista Angeli, criador de personagens que marcaram uma geração (principalmente a minha), estará ocupando o espaço do Itaú Cultural em São Paulo, de 16 de março a 9 de abril. É a chance de rever Rê Bordosa, Bob Cuspe, Meia Oito, Wood & Stock, e outros personagens famosos da HQ brasileira. 
Arnaldo Angeli Filho publicou seu primeiro desenho com apenas 14 anos de idade, na revista "Senhor" (que não existe mais). Ao longo de 40 anos com caneta nanquin na mão, Angeli criou diversos personagens que retratam figuras do mundo underground de São Paulo, especialmente. 
Com a Rê Bordosa, o velho bar Riviera, antigo ponto de encontro de estudantes e intelectuais de esquerda, ganhou fama nacional. Infelizmente, como acontece muito frequentemente no Brasil, lugares que precisavam ser preservados, pela história simbólica que guardam, são abandonados, obrigados à extinção. Como é o caso bem recente do Cine Belas Artes, que fica localizado quase em frente ao velho Riviera, no começo da rua da Consolação...
Angeli nasceu em 31 de agosto de 1956 em São Paulo. Desde 1973 é cartunista do jornal Folha de São Paulo, onde podemos encontrar seus personagens e suas estórias anárquicas e urbanas. Mas também inúmeras charges e cartuns de crítica social e política. Angeli tem desenhos que fizeram história na luta contra a Ditadura Militar. Eu mesma usei seus traços como referências para meus próprios cartuns usados em publicações do movimento estudantil por volta dos anos 1980.
Desde o Meia Oito, esquerdista, acompanhado sempre do velho parceiro homossexual Nanico, até a junkie porralouca dos anos 1980 Rê Bordosa, durante anos as figuras criadas nas pranchetas do artista povoaram as conversas de bar no meio estudantil, no meio intelectual, no meio dos que gostam de HQ. Mas Angeli publicou também sua revista "Chiclete com Banana" e suas tiras foram parar também em publicações estrangeiras, na Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Argentina.
A exposição tem como curadora a designer gráfica Carolina Guaycuru, e é gigante: são 800 obras (sendo 80 originais), entre tiras, quadrinhos, charges, ilustrações, capas de discos, etc. O espaço do Itaú Cultural vai recriar o estúdio do cartunista em 120 metros quadrados. Também acontecerá uma mostra de audiovisual, com curta-metragens, documentários e animação inspirados na obra de Angeli.
Exposição Ocupação Angeli
Avenida Paulista, 149, São Paulo
De 16 de março a 29 de abril
Entrada gratuita

quarta-feira, 7 de março de 2012

Diego Rivera: Murais para o Museu de Arte Moderna

O levante, mural de Diego Rivera, em exposição pela segunda vez no MoMA
Pinturas murais de Diego Rivera retornam a Nova Iorque depois de 80 anos: desde o dia 13 de novembro de 2011 até 14 de maio de 2012, o Museu de Arte Moderna, o MoMA, apresenta a exposição do pintor e muralista mexicano com o tema "Murais para o Museu de Arte Moderna".


Diego Rivera
Em dezembro de 1931, esses murais foram expostos pela primeira vez. Naquela época, o MoMA montou uma grande exposição dessas obras de Diego Rivera, que atraiu um grande público durante as cinco semanas da mostra. O artista, que era comunista, defendia a resistência contra a conquista espanhola e a Revolução Mexicana  (1910-1917). Seus murais são obras de forte conteúdo social e inspirou inúmeros artistas ao redor do mundo, inclusive nos Estados Unidos.


Rivera já gozava de grande prestígio internacional e era a figura mais conhecida do muralismo mexicano, um movimento de arte pública que surgiu nos anos vinte, no final da Revolução mexicana. Mas os murais, gigantescos, não podiam ser transportados para uma exposição em Nova Iorque. Para resolver esse problema, o Museu levou Rivera àquela cidade seis semanas antes da inauguração da exposição. Lá, foi improvisado um ateliê numa das galerias que estava vazia. Rivera criou, então, cinco “murais portáteis” que comemoravam episódios da  história do México, e que ocuparam um lugar de destaque no Museu.


Depois da inauguração da mostra, Rivera fez mais três murais inspirados na cidade de Nova Iorque na época da Grande Depressão. Essa mostra que repete a de 1931,  revela o papel fundamental de Diego Rivera nos debates acerca da influência social e política da arte mural durante o período da crise econômica causada pelo crash de 1929.


Zapata, líder camponês
Daqueles cinco murais sobre a história mexicana se destacam "Zapata Líder Camponês", onde que o líder revolucionário com um cavalo branco guia os camponeses, enquanto um latifundiário jaz morto ao chão. Um outro é o "Guerreiro Índio", um asteca vestido de jaguar crava uma faca no pescoço de um conquistador espanhol.


E das pinturas sobre Nova Iorque durante a crise de 1929, o quadro "Eletricidade" (abaixo) representa trabalhadores dentro de uma usina, em pleno esforço de manter a cidade funcionando. "Furadeira Pneumática" e "Fundos Congelados" mostram o processo de industrialização na América.


A exposição inclui desenhos, esboços e material de arquivos relacionados com a passagem de Rivera em Nova York entre 1931 e 1932. A mostra fica aberta à visitação pública até o dia 14 de maio próximo.


O pintor Diego Rivera


Diego Rivera nasceu em 8 de dezembro de 1886, em Guanajuato, México. Passou para a história da pintura por executar obras de alto conteúdo social em edificios públicos, os famosos murais mexicanos. Ele criou esses murais em diversos pontos do centro histórico da Cidade do México e em outras ciudades mexicanas, como Cuernavaca e Acapulco. Mas também fez murais em São Francisco na Califórnia, em Detroit e Nova Iorque, nos Estados Unidos.


Rivera e sua esposa, a pintora Frida Kahlo, 1932
Em sua certidão de batismo ele foi registrado com o nome enorme de Diego María de la Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodríguez.


Com apenas 10 anos de idade, começou a ter aulas de desenho na Academia de São Carlos, na capital mexicana. Em 1905, recebeu uma bolsa para estudar na Espanha, onde fez estudos sobre a obra de Francisco Goya, El Greco e Pieter Brueghel. Passou a frequentar o atelier do pintor espanhol Eduardo Chicharro, em Madri.


Entre 1908 e 1916 ele residiu em muitos lugares: México, Equador, Bolívia, Argentina, Espanha e França. Em Paris, teve contato com intelectuais e artistas em Montparnasse, tradicional bairro de artistas parisiense, entre eles Alfonso Reyes Ochoa e Pablo Picasso. Com esses contatos, ele se aproximou das novas correntes estéticas europeias, como o Cubismo. Mas se deixou influenciar também pela obra de Paul Cézanne, pintando telas com cores vivas, bem diferente de outros pintores mexicanos que também se tornaram muralistas.


Em 1920, com o apoio do embaixador mexicano na França, Alberto J. Pani, Diego Rivera viajou para a Itália, onde fez estudos da arte do Renascimento. De volta a seu país, em seguida, juntou-se aos muralistas mexicanos José Clemente Orozco, David Alfaro Siqueiros e Rufino Tamayo, assim como o artista francês Jean Charlot.
Eletricidade, em exposição no MoMA, inspirado na cidade de Nova Iorque na crise de 1929
Em janeiro de 1922 começou a pintar seu primeiro mural, no Anfiteatro Simon Bolivar da Escola Preparatória Nacional. Sua pintura começa a se converter num fator importante de influência do Movimento Muralista Mexicano e Latino-Americano. No mesmo ano, casou-se com Guadalupe Marin, também conhecida como "Gata Marín". Ela era de origem indígena mexicana, de pele morena, cabelos negros e fartos e os olhos verdes. Com ela, Rivera teve duas filhas.


Em setembro de 1922 começou a pintar o afresco da Secretaria de Educação Pública e foi co-fundador da União de Pintores, Escultores e Artistas Gráficos Revolucionários. Ainda em 1922 se filia ao Partido Comunista Mexicano, cujas ideias marcariam grande parte da vida e da obra de Diego Rivera. Vê-se a influência de suas ideias comunistas em sua pintura a partir de então. Passou em seguida a pintar os murais do Palácio Cortés em Cuernavaca e na Escola Nacional de Agricultura, de Chapingo. No Palácio Nacional da Cidade do México pintou, de 1929 a 1935, uma série de murais onde fazia uma narrativa da história mexicana desde os tempos dos aztecas até o século XX.


Fundos congelados, Nova Iorque no
tempo da crise de 1929, retratada por Rivera
Em 1927, Rivera foi convidado para os festejos dos 10 anos da Revolução de Outubro da União Soviética. Em 1929, casou-se pela terceira vez, com a pintora Frida Kahlo. Em 1930 foi convidado a ir aos Estados Unidos para a realização de diversas obras que tinham sido encomendadas. Sua temática comunista causou graves desentendimentos com as autoridades norte-americanas, assim como com a imprensa daquele país. Nos EUA, ele pintou na Escola de Arte de São Francisco e no Instituto de Artes de Detroit. Até que em 1933, o industrial John D. Dockefeller Jr o contratou para pintar um mural na parede de entrada do edificio RCA em Nova Iorque. Esse edificio fazia parte de um conjunto de prédios denominados Rockefeller Center. Ficava localizado na Quinta Avenida, um dos lugares mais famosos e emblemáticos do capitalismo norte-americano.


Mas Diego Rivera, mesmo assim, desenhou o mural intitulado “O homem controlador do universo”, onde aparecia um retrato de Vladimir Lenin, líder da revolução comunista da Rússia. Mas quando Rivera estava para terminar seu trabalho, a reação de críticos da imprensa gerou uma tal controvérsia que levou o próprio Rockefeller a encarar aquele mural como um insulto pessoal. Mandou cobrir o mural, para depois mandar destruí-lo.


Mas Rivera, de volta ao México em 1934, pintou o mesmo mural no terceiro piso do Palácio de Belas Artes do México.


Esboço para o mural "Liberação do peão"
Em 1946, pintou uma de suas obras mais importantes, “Sonho de uma tarde dominical na Alameda Central”, no recém construído Hotel del Prado da Cidade do México. Passa a integrar a Comissão de Pintura Mural do Instituto Nacional de Belas Artes, junto com os pintores José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros.


Em 1950 ilustrou o livro “Canto Geral” do poeta chileno Pablo Neruda e ganhou o Prêmio Nacional de Ciências e Artes do México.


Nos anos seguintes, trabalhou sem cessar, em diversos murais, até sua morte, em 24 de novembro de 1957, em Santo Ângelo, Cidade do México. Morreu em sua casa, que era ao mesmo tempo seu atelier. Lá atualmente funciona o Museu Casa-Estúdio Diego Rivera e Frida Kahlo.
Liberação do peão