segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Pinturas recentes de Edson Souza

Amsterdam - Damrak, Edson Souza, óleo sobre tela
O Ateliê e Galeria Contraponto inaugura uma exposição de pinturas do artista Edson Souza, com paisagens urbanas pintadas a óleo. Com curadoria de Claudinei Roberto, a exposição será aberta no próximo dia 18 de outubro, sábado, a partir das 16 horas.

Edson Souza é um artista paulistano, com formação na Escola de Comunicações e Artes da USP, onde se bacharelou em Pintura. Também formou-se em Engenharia Química pelo POLI-USP e em Economia pela FEA-USP. Atualmente trabalha como engenheiro de processos, mas paralelamente trabalha em seu Ateliê, que mantém desde 1997, com desenho, gravura, fotografia e pintura.

Autorretrato, Edson Souza
Edson Souza explica que o motivo de sua poética “é a própria linguagem da Pintura. Por meio da investigação das tradições da Pintura busco contribuir para a renovação deste legado valioso”. E para concretizar esta intenção ele recorre “a registros de viagem, fragmentos de imagens colhidos no cotidiano de cidades visitadas. Estes registros são trabalhados no ateliê, mesclados, modificados, simplificados, até atingir a essência da composição desejada. Dedico atenção especial aos detalhes, que permitem que cada trecho da composição adquira a mesma importância. O tema das observações de viagens é recorrente e permite refletir de forma singular, através de um jogo de citações e referências, sobre problemas atemporais da pintura”.
Edson Souza já participou das seguintes exposições: “Cúmplice do Silêncio” (com João Luengo), Ateliê OÇO, 2010; “Oniforma” (Coletiva), Centro Cultural São Paulo, 2007; “Coletiva” com Marco Willians, Associação dos Amigos do MAM (AAMAM), 2005 ; “Prólogo, Projeto Laboratório” (Coletiva), Espaço Annablume, 2004; “Travelogue” (Coletiva Variáveis) - Museu do Imaginário do Povo Brasileiro (Pinacoteca Estação), 2003; “Diversidades” (Coletiva), SESI Catumbi, 2000; “Expositivo Negativo” (Coletiva), Escola de Comunicação e Artes da USP, 1999; “Antigas e Novas Visões”, Farmácia Bio-Essencia, 1999; “Revi Europa” (Fotografia), Livraria FormaInforma, 1999; “Espaço?” (Coletiva), Escola de Comunicação e Artes da USP, 1998; “Faces da Loucura” (Coletiva), Instituto de Psicologia da USP, 1998.

A exposição “PINTURAS RECENTES” estará aberta ao público de 18 de outubro a 1º de novembro de 2014.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Rocco Caputo, o pintor rebelde de Piracicaba

Mulher com lenhas, Rocco Caputo, óleo sobre tela, 1,00 x 1,30 m.
Medalha Eugênio Losso Neto no Salão de Belas Artes de Piracicaba, 2013
Rocco Antonio Caputo, em seu ateliê
em Piracicaba, trabalhando na pintura
Vá pensiero
No momento em que escrevo este post sobre o pintor Rocco Antonio Caputo, estamos em plena campanha para as eleições presidenciais brasileiras. À esquerda,  a candidatura de Dilma Rousseff que deve se eleger pela segunda vez para continuar mudando o Brasil. Ao lado da direita, a candidatura neoliberal de Aécio Neves, que se alia a representantes do que há de mais conservador em nosso país. Rocco Antonio Caputo é de esquerda, irá votar em Dilma, como eu. Nesta semana, em seu ateliê em Piracicaba, interior de São Paulo, pintou um retrato de Karl Marx, para afastar o “maus espíritos” conservadores do Brasil… Rocco é assim, um bem humorado batalhador das ideias que defende e um pintor apaixonado por seu trabalho.


Karl Marx, Rocco Caputo,
óleo sobre tela, outubro de 2014
Rocco Antonio Caputo nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo, em agosto de 1962, e é filho do artista do ferro forjado Antonio Caputo (1923-1978). Rocco passou sua infância em meio à paisagem bonita dominada pelo rio Piracicaba, entrando e saindo da oficina de seu pai, de onde saíram inúmeras obras para lugares do interior de São Paulo, como, por exemplo, o portão do batistério da catedral de Santo Antonio, em sua cidade natal.

Aprendeu suas primeiras lições de pintura com o professor e pintor Hugo José Benedetti (1913-1977), que por sua vez se formou no Liceu de Artes e Oficios de São Paulo e na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Rocco possui ascendência italiana, e por isso logo buscou aprofundar seus estudos como artista na Europa. Na Itália, ele se formou em Pintura pela Accademia di Belle Arti da cidade de Foggia. Em 1991 volta para o Brasil, indo mora em Rio Claro, mas em 2004 volta a viver em Piracicaba, onde tem seu ateliê que oferece cursos de desenho e pintura.

Como professor, Rocco Caputo ensina o fazer dos velhos mestres, sua técnica e seus conhecimentos. Além de ensinar em seu próprio ateliê, Rocco também ministra aulas e workshops de pintura em outros ateliês, em Piracicaba e outras cidades.


Amantes, Rocco Caputo, 65 x 45 cm,
carvão sobre papel canson.
Foi num workshop aqui em São Paulo, realizado em 2013, na Cozinha da Pintura do professor Marcio Alessandri, que conheci esse artista. Ver um pintor como ele trabalhando em uma pintura é observar de perto seu domínio técnico, sua sensibilidade e sua familiaridade com o mundos de pinceis, tintas e telas. Sua obra é resultado de muitos anos dedicados a esse ofício, em contínuas experimentações da técnica do óleo sobre tela, à moda dos pintores italianos clássicos.

- Como é sua rotina de trabalho, Rocco? Pergunto a ele.
- “Amo acordar cedo e enquanto faço meu café (dizem que é o melhor da cidade) começo a me concentrar no trabalho, uma espécie de alongamento. Essa rotina não tem domingo e nem feriado. Muitas vezes amanheço o dia pintando, pois na madrugada, o silêncio da noite é um grande companheiro”.

Rocco tem muitos amigos em Piracicaba e está sempre à frente da organização de encontros de artistas, de projetos de exposição, de bate-papos sobre política. Apoia a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República e se mantém fiel às ideias comunistas de seu pai, Antonio Caputo.
 Madonna de San Ernesto
de la Higueira
, Rocco Caputo,
óleo sobre tela, 180 x 60 cm.

- O que inspira você, Rocco?
- “Tento fazer do meu cotidiano o tema de meus trabalhos, cotidiano de meus pensamentos ou sentimentos, sendo a figura humana a mola propulsora daquilo que pinto. Tudo o que faço tem que ter sua poética. Só me sinto um artista mesmo  quando  consigo despertar emoção com meu trabalho. No mundo de hoje tem lugar para todos e para todas as manifestações de arte. Por isso eu não concordo com certo pensamento que anula o suporte da tela, pois a pintura tradicional sempre despertará emoções para os não artistas e maravilhosos desafios aos jovens artistas da arte ‘tradicional ‘. Confesso que não sei como me localizar na arte, sou um simples pesquisador."

- O que Rocco Caputo pensa sobre o mundo?
- “Acredito que cada pessoa neste mundo tem sua própria mitologia, seu universo. Minha formação como pessoa foi e é marxista, sou filho de serralheiro comunista, me orgulho da minha origem, por isso que meu trabalho tem que ir além da imagem refletida na tela. Quero muito contribuir na construção de uma sociedade igualitária! Meu trabalho tem que ter  a Força e a Beleza que a vida nos dá, até mesmo no trabalho que evidencia meu horror às injustiças sociais.

- “Mas serei um eterno otimista em relação ao mundo! O homem de hoje não convive mais com a escravidão, com a discriminação e outros males, mas mesmo com tantos retrocessos no mundo, a luta de classes agora faz parte da consciência dos homens. Sei que ainda impera a razão da força, mas lutar pela força da razão faz parte da vida dos marxistas”.

Rocco Caputo fará uma exposição individual em novembro, na galeria Art Colection, em Piracicaba. A inauguração será no dia 27 de novembro, na rua Doutor Alvim, 822 e as obras poderão ser vistas até dezembro. 

Canto da Sereia, Rocco Caputo, 40cm de diâmetro, óleo sobre tela
Ateliê Rocco Caputo com parte dos alunos

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pinturas com palheta reduzida

Tenho feito algumas pinturas usando poucas cores, apenas quatro: Preto de Marfim, Branco de Titânio, Amarelo Ocre e Vermelho de Cadmio. A ideia é experimentar, exercitar, aprender ainda mais sobre o mundo maravilhoso da pintura a óleo, das cores, da arte.

Essa palheta é conhecida há milhares de anos, pois na Grécia antiga um grego pintor, chamado Apeles, pintava com essas mesmas cores. No Renascimento, o pintor italiano Tiziano também fez algumas pinturas com a Palheta de Apeles. Mais recentemente, no final do século XIX e começo do século XX, o sueco Anders Zorn também fez várias obras com preto, branco, amarelo ocre e vermelho.

Aqui abaixo, alguns resultados deste meu estudo, com exceção da primeira pintura ("Fernanda na coxia"), onde também usei o Azul Ultramar:

"Fernanda na coxia", Mazé Leite, óleo sobre tela, 40 x 50 cm, 2014

"Pé do artista", Mazé Leite (after Adolf Menzel), óleo sobre tela, 50 x 40 cm,  2014

"Ariano Suassuna, minha homenagem", Mazé Leite, óleo sobre tela, 40 x 50 cm, 2014

"As velhas botas", Mazé Leite, óleo sobre tela, 50 x 40 cm, (inacabado) 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Landseer, o pintor de animais

"Cães", Edwin Landseer
O pintor inglês Landseer
Edwin Henry Landseer, pintor inglês, nasceu no dia 7 de março de 1802 e morreu no dia 1º de outubro de 1873, há exatamente 141 anos. Ficou conhecido por suas pinturas de animais, especialmente cavalos, cães e veados. Mas suas obras mais conhecidas são esculturas de leões em Trafalgar Square, em Londres.


Landseer, filho do gravador de paisagens John Landseer, era uma espécie de prodígio cujo talento artístico foi reconhecido muito cedo na vida. Ele estudou com vários artistas, incluindo seu pai, e o pintor Benjamin Robert Haydon, que incentivou o jovem Landseer a realizar dissecções, a fim de entender completamente a musculatura dos animais e sua estrutura esquelética. A vida de Landseer foi entrelaçada com a Royal Academy. Na idade de apenas 13 anos, em 1815, ele expôs suas obras lá. Com 24 anos de idade, foi aceito como membro dessa Academia e, cinco anos depois foi nomeado cavaleiro. Em seguida indicado a presidente daquela entidade, mas recusou o convite.


Dos 30 anos e para o resto de sua vida, Landseer foi perturbado por crises de melancolia e depressão, agravadas pelo uso do álcool e drogas. No últimos anos de sua vida sua estabilidade mental era um grave problema, e, a pedido de sua família, foi declarado “louco” em julho de 1872.


Landseer foi uma figura notável na arte britânica do século XIX, e suas obras podem ser encontradas na Tate Britain, no Victoria and Albert Museum, na Kenwood House e na Wallace Collection, em Londres.
A popularidade de Landseer na Grã-Bretanha vitoriana era considerável, e sua reputação como um pintor de animais era muito grande. Uma parte de sua fama e de seus rendimentos deveu-se à publicação de gravuras de seu trabalho, muitos delas feitas pelo irmão Thomas.


"Dignidade e imprudência", Landseer
Sua produção artística cruzou as fronteiras de classe: reproduções de suas obras eram comuns em casas de pessoas mais pobres, da classe média, enquanto ele também era popular com a aristocracia. A rainha Victoria encomendou várias pinturas de seus animais de estimação, mas também encomendou um retrato de si mesma, como um presente para o príncipe Albert. Landseer também fez retratos dos filhos de Victoria quando bebês, geralmente na companhia de um cachorro. Uma de suas últimas pinturas foi um retrato equestre em tamanho natural da rainha, exibido na Royal Academy em 1873, feita a partir de esboços anteriores.


O pintor ficou tão popular como pintor de cães em serviço da humanidade, que seu nome veio a ser o nome oficial para a variedade do cão conhecido como Terra Nova, pois ele popularizou essa raça em suas pinturas, como aquelas onde cães resgatam pessoas.


Algumas das obras mais tardias de Landseer têm um carater um tanto pessimista: uma delas mostra dois ursos polares brincando com os ossos de mortos, enquanto outra mostra uma expedição ao ártico fracassada.


A morte de Landseer, em 01 de outubro de 1873, mexeu com a Inglaterra: lojas e casas fecharam suas portas, bandeiras foram hasteadas a meio mastro e grandes multidões foram às ruas para participar do cortejo fúnebre. Landseer foi sepultado na Catedral de São Paulo, em Londres.

Landseer deixou três pinturas inacabadas, em seus cavaletes em seu ateliê. Ele havia pedido que seu amigo, o também pintor John Everett Millais, terminasse o trabalho, o que foi feito. Diz-se que Landseer conseguia pintar com as duas mãos ao mesmo tempo, e era muito rápido em seu  trabalho. Mas quanto às encomendas, muitas delas levavam meses e até anos para o que o pintor se dispusesse a trabalhar nelas.

Mais alguns exemplos de pinturas de Edwin Landseer:

"Vida pobre", 1829, Landseer

"Vida rica", 1829, Landseer

"Tio Tom", Landseer

"A megera Tamed", ou "Cavalo encantado", 1861, Landseer

"Companheiros", Landseer

"Rei do vale", 1851, Landseer

"A salvo", Landseer

"Ligação", 1829, Landseer

"O choro do velho pastor", 1837, Landseer
"Gado selvagem de Chillingham", 1867, Landseer

"Falcão", 1837, Landseer

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A política e os artistas

"A morte no sábado - homenagem a Vladimir Herzog",
óleo sobre tela, Antonio Amaral, 1975
A força das ideias gera a história, movimenta os povos, muda sistemas. Nas artes, inúmeros artistas não ignoraram o que aconteceu em seu próprio tempo, criando obras que foram testemunhos históricos e ao mesmo tempo marcos estéticos de suas épocas. Há relação, portanto, entre arte e política.

Vamos começar com um exemplo mais distante, mas que trouxe grande influência à nossa época e mesmo ao nosso país: na França do século XVIII, ideias as mais contraditórias disputavam espaço numa sociedade em ritmo de mudanças profundas em seu sistema político, econômico, social. Burgueses e aristocratas combatiam entre si os espaços de poder e de pensamento, enquanto que a grande maioria do povo vivia na pobreza. Os adeptos do velho regime se agarravam ferrenhamente ao passado; outros, inspirados pelos novos ideais carregavam novas bandeiras que balançavam ao sopro dos ventos de um mundo novo.

A Revolução Francesa marcou o fim desse "Ancien Régime" e dos privilégios da realeza e do clero. Até então o rei era o centro de toda a vida política e social na França. Os impostos cobrados ao povo eram extorsivos. A imensa maioria vivia na miséria, enquanto os membros da corte e do clero se refestelavam nos palácios. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, proclamou a igualdade dos direitos de todos diante da lei, além de defender direitos básicos dos cidadãos. Essa Revolução de 1789 marcou o início da era moderna e influenciou todos os recantos do mundo.


Marat assassinado, David
Em meio aos artistas, as discussões iam além de questões estéticas e as ideias dos adeptos do Romantismo já movimentavam os ateliês. Foi em meio a esse fervilhar de ideias que se destacou Jacques-Louis David (1748-1825). Envolvido totalmente com a Revolução Francesa de 1789, David pôs seu talento de pintor a serviço das causas revolucionárias, assim como foi fiel ao período napoleônico, declaradamente favorável a Napoleão Bonaparte. Mas na Revolução de 1789 alinhou-se aos jacobinos, a ala esquerda. Em 1793 apresentou o depois famoso quadro “Marat assassinado”, onde denunciava o assassinato do revolucionário e seu amigo Jean-Paul Marat.

Além de David, um outro artista francês se destacou como um pintor da Revolução: Eugène Delacroix (1798-1863), que já nasceu numa França renovada pela Revolução mas também era plugado a seu tempo, até mesmo pelo romantismo que o inspirava.


A Liberdade guiando o povo, Delacroix
Delacroix participou dos movimentos revolucionários de seu tempo ao pintar o célebre quadro “A Liberdade guiando o povo às barricadas”. A mulher que representa a Liberdade em sua tela é uma mulher do povo, com o peito nu e os cabelos ao vento. Diz Walter Friedlaender em seu livro “De David a Delacroix”: “De todas as obras de Delacroix, foi a única em que um conceito original e um verdadeiro sentimento contemporâneo se completaram de forma vigorosa”.


Aqui no Brasil, muitos foram os artistas que se envolveram com a política de seu tempo. Começando com Victor Meirelles (1832-1903) e Pedro Alexandrino (1856-1942), que pintaram grandes telas representando momentos épicos da história do nosso país, passamos pelos modernistas e chegamos a Candido Portinari (1903-1962), um dos nossos maiores pintores, que se envolveu diretamente com a política de seu tempo, sendo inclusive candidato a deputado federal nas eleições de 1945 e de 1947, pelo Partido Comunista do Brasil (PCB). São inúmeras as telas de Portinari com cunho político, especialmente aquela em que ele denuncia a miséria em que vivia grande parte do povo nordestino, “Os Retirantes”, que tem uma força expressiva muito tocante.

Mas para exemplificar com um artista mais próximo do nosso tempo, vamos destacar o paulista Antonio Henrique Abreu Amaral, que nasceu em 1935 e ainda vive em São Paulo. 

Antonio Henrique iniciou sua formação artística na Escola do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP, em 1952. Em 1956, foi estudar gravura com Lívio Abramo, um grande gravador brasileiro, que também se interessava muito pela política do nosso país. Em 1958, Antonio Henrique viajou pela Argentina e Chile, realizando exposições, ocasião em que conhece pessoalmente o poeta Pablo Neruda (1904 - 1973), que era comunista. 

Após passar pelos EUA, em sua volta ao Brasil em 1960, Antonio Henrique Amaral conheceu artistas como  Ivan Serpa (1923 - 1973), Candido Portinari (1903 - 1962), Antonio Bandeira (1922 - 1967), Djanira (1914 - 1979) e Oswaldo Goeldi (1895 - 1961). Em 1964, houve o golpe militar que instaurou no Brasil uma Ditadura Militar que perseguiu muitos artistas e intelectuais, prendendo, torturando e mesmo assassinando inúmeros brasileiros que se opunham àquele regime de falta de liberdade e que havia imposto uma censura muito grande que atingia também diretamente a o meio artístico.


Incomunicação, Antonio Amaral,
xilogravura
Com isso, Antonio passou a incorporar em seu trabalho artístico a temática social, denunciando também a falta de liberdade em que vivia o povo brasileiro, sob uma censura rígida e muita perseguição política. Em 1967, ele lançou um álbum de xilogravuras coloridas intitulado “O Meu e o Seu”, com apresentação do poeta Ferreira Gullar (1930) que à época também era militante comunista e também foi perseguido pela ditadura militar. Nesse album, ele sintetiza a questão do autoritarismo político dos militares no poder.

Antonio Henrique Amaral começa a fazer uma série de pinturas com o tema das Bananas, entre 1968 e 1975, onde se vê claramente a metáfora da banana como crítica ao que estava acontecendo em nosso país. Um desses trabalhos apresenta uma banana cortada e envolta por um garfo, ambos amarrados por um grosso barbante. Nessa série de Bananas, o artista parece concentrar sua denúncia do momento político brasileiro sob o regime ditatorial militar: bananas apodrecidas, espetadas por garfos pesados parecem querer mostrar o que estava acontecendo nas prisões com a tortura cruel aos presos políticos.


Bananas, A. Amaral,
óleo sobre tela, 1970
A metáfora das bananas sempre foram usadas em diversos momentos da nossa história, desde a pintura “Tropical” de Anita Malfatti (1889-1964), passando pela “A Negra” de Tarsila do Amaral (1886-1973), e até “Bananal” de Lasar Segall (1891-1957). Na década de 1930 o compositor Braguinha explicitou na letra da música “Yes nós temos bananas”, de forma gaiata, a exploração das riquezas do Brasil por parte dos estrangeiros. Na década de 1940 Carmen Miranda balançava suas curvas nos Estados Unidos, criando a imagem caricata da latino-americana com seu chapéu excêntrico carregado de bananas e outras frutas. Ou seja, Antonio Henrique voltava à mesma metáfora para mostrar que o país da banana e do carnaval sofria com a ditadura militar.

Uma de suas pinturas mais explícitas é “A morte no sábado - homenagem a Vladimir Herzog”, na qual o artista denuncia o assassinato do jornalista da TV Cultura Vladimir Herzog nos porões da ditadura dos generais brasileiros.

Antonio Henrique Amaral vive e trabalha em São Paulo.

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Alguns exemplos da arte política do artista:


A Grande Mensagem, 1966, Amaral, xilogravura

Campo de batalha 22, óleo sobre tela, 1974
Campo de batalha 3, óleo sobre tela, Amaral, 1973
Os metais e as vísceras I, óleo sobre tela, Amaral, 1975 
"Eu decido", Antonio Amaral, xilogravura, 1968
"Sem saída", xilogravura, 1967